Tiroteio ligado à extração ilegal de areia

Autoridades intensificam operações ambientais e policiais depois de confronto no norte do estado.


Jaime Jaime

O Governo de Goa anunciou um reforço imediato da vigilância ambiental e policial depois de um tiroteio ocorrido em Naibag, no distrito de Pernem, que deixou dois feridos e expôs novamente o problema persistente da extração ilegal de areia nos rios do norte do estado.

O incidente ocorreu na noite de terça-feira, quando dois grupos rivais se confrontaram pelo controlo de uma zona de exploração no leito do rio Tiracol, perto da fronteira com Maharashtra. Segundo a Polícia Estadual, os feridos —ambos trabalhadores informais— foram transportados para o hospital de Mapusa e encontram-se fora de perigo.

O chefe da Polícia de Goa, Jaspal Singh, confirmou a abertura de uma investigação por tentativa de homicídio e mineração ilícita, sublinhando que as licenças de extração estão a ser revistas. “Vamos reforçar as patrulhas fluviais e criar equipas conjuntas com o departamento ambiental para travar esta atividade criminosa”, declarou.

A Comissão de Controlo da Poluição de Goa (GSPCB) revelou que desde janeiro foram identificados mais de 120 casos de mineração irregular, sobretudo em zonas rurais ligadas à construção civil. O organismo considera que as sanções atuais “não dissuadem a reincidência”.

O ambientalista Claude Alvares, do Centre for Environmental Education and Development (CEED), acusou as autoridades de inação. “A extração ilegal destrói ecossistemas e acelera a erosão costeira. Enquanto o lucro for maior do que a multa, o problema continuará”, advertiu.

Além do impacto humano, Goa enfrenta chuvas 91 % acima da média, segundo o Departamento Meteorológico da Índia (IMD), o que agrava a erosão dos leitos e dificulta as inspeções. As autoridades afirmam que o aumento do nível das águas tem permitido esconder atividades clandestinas durante a noite.

O governo estadual, liderado por Pramod Sawant, anunciou a criação de uma unidade especial de crimes ambientais e um registo digital obrigatório para transportadores de areia, que deverá entrar em vigor antes do final do ano. Está igualmente prevista uma campanha pública de sensibilização sobre o impacto ecológico destas práticas e uma proposta de lei para elevar as multas até cinco vezes o valor atual.

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