O Brasil atrai capital produtivo e reforça a ponte tecnológica com a China

Investimento estrangeiro, veículos eléctricos e dados aproximam Brasília de Pequim em sectores industriais críticos


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Equipo de edición de La Iberofonía, medio de comunicación del Ateneo Iberófono Juan Latino.

O Brasil surge como um dos grandes destinos globais de capital produtivo num momento em que indústria, energia, dados e mobilidade eléctrica se tornam campos de disputa entre potências. Segundo a TV BRICS, com base em dados da OCDE citados pelo Brasil 247, o país recebeu 77 mil milhões de dólares em investimento estrangeiro em 2025, com crescimento anual de 22%, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

O dado não reflecte apenas confiança financeira. A informação destaca investimento em nova capacidade produtiva, incluindo um projecto de 40 mil milhões de dólares para um centro de dados de inteligência artificial alimentado por energia eólica. Num cenário em que outras economias em desenvolvimento registaram queda em projectos greenfield, o Brasil aparece associado à procura por infraestrutura tecnológica, energia renovável e capacidade industrial.

A ligação com a China é uma das dimensões centrais. A presença da BYD na Bahia tornou-se um símbolo da nova etapa industrial brasileira. O Governo da Bahia informou que o complexo de Camaçari é a maior unidade da empresa fora da China, com investimento de 5,5 mil milhões de reais, previsão de milhares de empregos directos e indirectos e início de uma etapa de nacionalização progressiva de componentes.

A mobilidade eléctrica não se limita à venda de automóveis. Envolve baterias, software, electrónica embarcada, cadeias de fornecedores, formação técnica, energia e logística. Quando uma empresa chinesa instala no Brasil um dos seus principais complexos fora do território chinês, Brasília ganha capacidade industrial, mas também aprofunda uma dependência tecnológica num sector dominado por Pequim. A escala brasileira permite transformar essa dependência em negociação, desde que haja conteúdo local, transferência de conhecimento e integração com a política industrial nacional.

O BNDES também entrou no eixo Brasil-China por meio de um fundo estruturado com o Export-Import Bank of China, com tamanho-alvo de até 1.000 milhões de dólares para projectos no Brasil a partir de 2026, incluindo transição energética, infraestrutura, bioeconomia, comércio, mineração, agricultura, economia digital e inteligência artificial.

O quadro coloca o Brasil numa posição ambivalente. Por um lado, o país atrai capital e pode acelerar reindustrialização, transição energética e produção tecnológica. Por outro, o volume de investimento chinês em sectores críticos aumenta a exposição brasileira à rivalidade entre China, Estados Unidos e União Europeia. A margem soberana dependerá da capacidade do Estado brasileiro para impor regras de produção local, proteger dados estratégicos, desenvolver fornecedores nacionais e evitar que o país se limite a fornecer energia, território e mercado consumidor.

A ponte tecnológica com a China reforça o peso internacional do Brasil dentro dos BRICS e no Atlântico Sul. Também intensifica a pressão de Washington e Bruxelas, que observam a consolidação chinesa em veículos eléctricos, inteligência artificial, mineração, energia e infraestrutura de dados. O Brasil entra nessa disputa com uma vantagem rara na Iberofonia: escala territorial, mercado interno, energia renovável, reservas minerais e capacidade diplomática para negociar com varios centros de poder ao mesmo tempo.

Fontes: TV BRICS, Governo da Bahia, BNDES, Agência Brasil.

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