Goa anuncia a criação do seu primeiro Índice de Felicidade

O governador comunicou na Assembleia que o indicador avaliará bem-estar em saúde, educação, ambiente, cultura e vida comunitária

Celebración y merienda en el parque

Juan Lacomba Juan Lacomba

(España) Editor de la Iberofonía, es licenciado en Derecho y en Relaciones Laborales. Sindicalista y delegado electo desde 2012, actualmente vicepresidente del Comité de Empresa del Ayuntamiento de Sagunto, Valencia. Es además formador y técnico superior en Salvamento y Socorrismo.
Aporta un profundo conocimiento del ámbito laboral, la negociación colectiva y las relaciones laborales en la administración pública.

O Governo do estado indiano de Goa anunciou a elaboração do seu primeiro Índice de Felicidade, com o objectivo de medir o bem-estar da população para além dos indicadores económicos tradicionais. O anúncio foi feito a 12 de janeiro de 2026 pelo governador Pusapati Ashok Gajapathi Raju, durante a sua intervenção perante a Assembleia Legislativa de Goa.

De acordo com o governador, o novo índice permitirá avaliar a qualidade de vida dos residentes com base em múltiplos parâmetros sociais, não se limitando a métricas como o crescimento económico ou o rendimento. “Tenho orgulho em anunciar que o meu governo dará um passo concreto nesta direcção, preparando um Índice de Felicidade pioneiro para Goa”, afirmou no seu discurso oficial.

O Índice de Felicidade anunciado irá analisar dimensões como saúde física e mental, acesso à educação, qualidade ambiental, vida cultural, coesão comunitária e satisfação geral com a vida. Segundo foi explicado, estes factores permitirão obter uma visão mais abrangente das condições em que vivem os cidadãos do estado, complementando os dados económicos habitualmente utilizados na formulação de políticas públicas.

Um índice desta natureza é concebido como um instrumento para medir o grau de satisfação das pessoas com a sua experiência quotidiana. Ao contrário de indicadores centrados exclusivamente na produção ou no rendimento, um Índice de Felicidade incorpora aspectos sociais, ambientais e institucionais, incluindo relações sociais, equilíbrio entre vida profissional e pessoal, acesso a serviços públicos e participação cultural. Governos que adoptam este tipo de ferramentas utilizam os resultados para orientar políticas centradas nas pessoas e identificar áreas onde o bem-estar social necessita de reforço.

Goa não é o primeiro estado da Índia a explorar a felicidade como objectivo de governação. Em 2016, o estado de Madhya Pradesh lançou a primeira iniciativa governamental do país dedicada a este tema, com a criação do Departamento da Felicidade, conhecido como Anand Vibhag, durante o mandato do então ministro-chefe Shivraj Singh Chouhan.

Esse projecto previa o desenvolvimento de um Índice de Felicidade Bruta inspirado no modelo do Butão e concebido em parceria com o Instituto Indiano de Tecnologia de Kharagpur. O plano incluía a aplicação de um questionário com 30 perguntas sobre educação, condições socioeconómicas, governação e satisfação com a vida, com implementação prevista em todos os distritos a partir de 2017. Contudo, segundo informação disponível até 2025, o levantamento completo do índice permaneceu pendente, embora tenham sido lançadas iniciativas piloto, como as chamadas Anandgrams, em todos os 55 distritos do estado.

No plano internacional, alguns países integraram formalmente o bem-estar nos seus modelos de governação. Em 2016, os Emirados Árabes Unidos criaram o cargo de ministro de Estado para a Felicidade, introduzindo métricas de bem-estar na administração pública e promovendo programas específicos em organismos governamentais. O Butão, por sua vez, conceptualizou a Felicidade Nacional Bruta na década de 1970, utilizando-a como referência para a definição de políticas públicas.

Até ao momento, o Governo de Goa não divulgou detalhes sobre o calendário, a metodologia ou as entidades responsáveis pela elaboração do índice. Ainda assim, o anúncio marca o início de um processo institucional destinado a incorporar medições sistemáticas de bem-estar social no planeamento e na acção governativa do estado.

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