La Iberofonía
Equipo de edición de La Iberofonía, medio de comunicación del Ateneo Iberófono Juan Latino.
O encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado na Casa Branca no dia 7 de Maio, abriu uma negociação de 30 dias sobre tarifas, investigação comercial e sectores estratégicos. Segundo a Agência Brasil, os dois governos deverão apresentar uma proposta para resolver o impasse criado pela investigação norte-americana baseada na Secção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que acusa o Brasil de práticas consideradas desleais em áreas como Pix, etanol, desflorestação ilegal e propriedade intelectual. O Governo brasileiro não reconhece a legitimidade desse instrumento unilateral e invoca as regras da Organização Mundial do Comércio.
A reunião incluiu também minerais críticos e terras raras, matérias-primas centrais para componentes electrónicos, defesa, transição energética, semicondutores, baterias, turbinas e equipamentos de alta tecnologia. Lula informou Trump da aprovação da lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), que prevê a criação de um comité ou conselho encarregado de definir quais recursos entram nessa categoria estratégica.
O dado central está nas reservas. O Brasil dispõe de cerca de 21 milhões de toneladas de terras raras, a segunda maior reserva mapeada do mundo, atrás apenas da China, que tem aproximadamente 44 milhões de toneladas. A Agência Brasil acrescenta que apenas cerca de 25 % do território nacional foi mapeado, o que amplia o potencial ainda desconhecido.
A posição brasileira combina abertura a parcerias com resistência ao modelo extractivo primário. Lula afirmou que o Brasil não pretende limitar-se a exportar recursos sem transformação interna, associando o caso das terras raras à experiência histórica de exportação de ouro, prata e minério de ferro sem adensamento industrial. O ponto de fricção com Washington não se limita às tarifas: envolve controlo tecnológico, processamento local, soberania digital, acesso a cadeias industriais e margem brasileira face à competição entre Estados Unidos e China.
A negociação inclui ainda uma frente de segurança. Lula afirmou que Brasil e Estados Unidos trabalharão para asfixiar financeiramente organizações criminosas transnacionais, enquanto a Agência Brasil recorda que Washington estuda classificar facções brasileiras como grupos terroristas, medida vista em Brasília como risco à soberania e pouco eficaz contra o crime organizado.
Fontes: Agência Brasil.


