Angola e Nigéria lideram ganhos nos mercados com subida do preço do petróleo

Títulos de dívida em dólares valorizam após aumento do Brent, impulsionado pela pressão dos Estados Unidos sobre o Irão

Plataforma Petrolífera, Ilha de Luanda, Angola

Juan Lacomba Juan Lacomba

(España) Editor de la Iberofonía, es licenciado en Derecho y en Relaciones Laborales. Sindicalista y delegado electo desde 2012, actualmente vicepresidente del Comité de Empresa del Ayuntamiento de Sagunto, Valencia. Es además formador y técnico superior en Salvamento y Socorrismo.
Aporta un profundo conocimiento del ámbito laboral, la negociación colectiva y las relaciones laborales en la administración pública.

Angola e Nigéria, os dois maiores produtores de petróleo de África, estão entre os países mais beneficiados nos mercados financeiros com a recente subida do preço do petróleo, num contexto marcado pelo aumento das tensões geopolíticas associadas à pressão dos Estados Unidos sobre o Irão. A informação foi divulgada pela agência de informação financeira Bloomberg.

Segundo a Bloomberg, os títulos de dívida soberana emitidos em dólares por Angola e Nigéria registaram ganhos expressivos nos mercados secundários nos últimos dias. A dívida angolana com maturidade em 2035 valorizou mais de 1%, passando a ser transacionada a cerca de 99 cêntimos por dólar.

A subida do valor a que a dívida é negociada nos mercados secundários é considerada um indicador da confiança dos investidores na credibilidade financeira do país emissor. Este movimento ocorre num cenário de agravamento dos riscos geopolíticos, após a intensificação da pressão diplomática e económica dos Estados Unidos sobre o Irão, fator que contribuiu para o aumento do preço do crude.

De acordo com os dados citados, o petróleo Brent iniciou o ano a 61 dólares por barril e subiu para cerca de 66 dólares por barril ao longo desta semana. A evolução das cotações teve impacto direto em economias dependentes das exportações de petróleo, refletindo-se positivamente no desempenho dos seus ativos financeiros.

O analista Smail Ait-Mahrez, da empresa de investimentos financeiros Marex, afirmou que “os preços mais altos do petróleo aliviam a pressão orçamental e estão a motivar uma aposta estratégica em países como a Nigéria e Angola”. A análise aponta para um maior interesse dos investidores em mercados exportadores de crude num contexto de incerteza global.

Apesar da valorização recente, os analistas citados pela Bloomberg indicam que os atuais níveis de preço do petróleo poderão não ser sustentáveis ao longo dos próximos trimestres. A evolução futura dependerá da dinâmica geopolítica, das decisões de produção dos grandes exportadores e do comportamento da procura internacional.

O estratega-chefe da seguradora Zurich, Guy Miller, comentou à Bloomberg que “podemos ter uma subida, mas não penso que vai durar”. Acrescentou que este cenário é favorável para o crescimento global, a inflação e os países importadores de petróleo, mas representa “um desafio para os exportadores de petróleo dos mercados emergentes”.

No caso de Angola, a subida do preço do crude assume particular relevância orçamental. O Orçamento Geral do Estado para o presente ano foi elaborado com base num preço médio de 61 dólares por barril, valor inferior às cotações atualmente registadas. Caso os preços se mantenham acima deste patamar, o país poderá beneficiar de receitas adicionais face às previsões iniciais.

A Nigéria, maior produtor de petróleo do continente africano, enfrenta desafios estruturais ao nível das finanças públicas e da capacidade produtiva. Ainda assim, a valorização recente dos seus títulos de dívida reflete uma perceção mais favorável dos investidores quanto ao impacto da subida do petróleo nas contas externas.

A evolução dos mercados continuará dependente da trajetória do preço do crude e da resposta internacional às tensões geopolíticas em curso.

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