Portugal está pronto para receber os Eurofighters

A Força Aérea Portuguesa modernização de sua frota de combate com o Eurofighter Typhoon


Adrián Sánchez Sallán Adrián Sánchez Sallán

(España) Editor en La Iberofonía, especialista en defensa y geopolítica. Combina su profesión como técnico en procesos industriales con sus estudios en el programa de Experto Universitario en Materialismo Político en el Instituto Beatriz Galindo – La Latina. Es portavoz del Ateneo Iberófono Juan Latino.

A Força Aérea Portuguesa (FAP) está prestes a entrar em uma transformação histórica. Após mais de quatro décadas operando os caças F-16 Fighting Falcon, o governo de Portugal iniciou oficialmente o processo de substituição da frota, apostando no Eurofighter Typhoon, o caça europeu desenvolvido pela Airbus, BAE Systems e Leonardo. O movimento marca um salto qualitativo na defesa aérea portuguesa e fortalece a cooperação militar europeia.

Um acordo estratégico com a Airbus Defence and Space

Em 27 de outubro de 2025, a Airbus Defence and Space assinou um memorando de entendimento (MoU) com o AED Cluster Portugal, estabelecendo as bases para a futura aquisição e produção do Eurofighter Typhoon em território português. O acordo não se limita à compra de aeronaves: inclui transferência de tecnologia, capacitação técnica e geração de empregos altamente qualificados no país.

A escolha do Eurofighter responde à necessidade de modernizar a frota de combate portuguesa e substituir gradualmente os veteranos F-16AM/BM, adquiridos nos anos 1990. O Typhoon, com capacidade de combate ar-ar e ar-terra, radar AESA e integração com os sistemas de defesa europeus, posiciona Portugal na vanguarda tecnológica da OTAN.

Reforço da autonomia estratégica europeia

Fontes do Ministério da Defesa Nacional destacam que a decisão busca não apenas melhorar a capacidade operacional, mas também reforçar a autonomia estratégica da Europa. Diante das crescentes tensões globais e da dependência de material norte-americano, Lisboa aposta em uma plataforma “plenamente europeia”, interoperável com os aliados da OTAN, mas sem abrir mão da soberania tecnológica.

O acordo pode incluir entre 24 e 30 caças Eurofighter Typhoon de última geração, em uma operação estimada em mais de 4 bilhões de euros. Parte do programa prevê a participação de empresas portuguesas na manutenção, formação e montagem parcial de componentes aeronáuticos, integrando Portugal à cadeia industrial europeia de defesa.

Adeus aos F-16: o fim de uma era

Os F-16 portugueses cumpriram com distinção missões de vigilância aérea no Atlântico, operações internacionais nos Bálcãs, Iraque e Báltico, e contribuíram de forma constante para a defesa do espaço aéreo da OTAN. No entanto, o envelhecimento da frota e os custos de manutenção tornaram inevitável sua substituição por um sistema mais moderno, eficiente e adaptável às ameaças atuais.

Uma aposta no futuro

Com essa decisão, Portugal junta-se a outros países europeus — como Espanha, Alemanha e Itália — que já operam o Eurofighter Typhoon, consolidando um bloco europeu de defesa aérea mais integrado, autônomo e avançado.
A substituição dos F-16 marca o início de uma nova era tecnológica e estratégica para a Força Aérea Portuguesa, que busca não apenas proteger seu espaço aéreo, mas também fortalecer seu papel dentro da Europa e da OTAN.

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