O risco de pobreza afeta quase todas as crianças da comunidade cigana em Portugal

Relatório de junho de 2024 detalha as condições socioeconómicas das famílias da comunidade cigana no país


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Equipo de edición de La Iberofonía, medio de comunicación del Ateneo Iberófono Juan Latino.

O relatório apresentado em junho de 2024 por uma organização nacional dedicada ao acompanhamento das questões sociais revelou que o risco de pobreza afeta quase universalmente as crianças da comunidade cigana em Portugal. O documento indica que esta realidade abrange famílias residentes em várias regiões do território português, incluindo zonas urbanas e rurais.

A investigação, baseada em dados recolhidos ao longo do último ano, identificou que a maioria das crianças dessas famílias vivem em agregados familiares com rendimentos significativamente abaixo do limite estabelecido pelo Instituto Nacional de Estatística para evitar a privação socioeconómica. De acordo com o relatório, esta situação é resultado da persistência de constrangimentos estruturais relacionados com o acesso ao mercado de trabalho, níveis baixos de escolaridade dos adultos e práticas de discriminação que dificultam a inclusão destas famílias.

O documento destaca que grande parte das crianças está exposta a condições de habitação precária, o que agrava as dificuldades no acesso a bens e serviços essenciais, como alimentação adequada, materiais escolares e assistência médica regular. A análise sublinha ainda que estas condições afetam diretamente a frequência escolar e o desempenho académico dessas crianças, colocando desafios adicionais à sua inclusão social e às oportunidades de mobilidade intergeracional.

As organizações não governamentais envolvidas na elaboração do relatório apelam para o reforço de medidas específicas contra o insucesso escolar e para a promoção da formação profissional junto das comunidades ciganas. Recomenda-se a implementação de políticas públicas orientadas para a inclusão social e laboral destes cidadãos, com o objetivo de assegurar melhores condições de vida às crianças e jovens e o respeito pelos direitos fundamentais previstos na legislação portuguesa e acordos internacionais.

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