Uni-CV atribui a Carlos Lopes o primeiro Prémio Amílcar Cabral

O intelectual guineense será distinguido a 26 de janeiro na Universidade de Cabo Verde e proferirá uma conferência sobre África e o multilateralismo

Amílcar Cabral. Foto de Archivo.

Juan Lacomba Juan Lacomba

(España) Editor de la Iberofonía, es licenciado en Derecho y en Relaciones Laborales. Sindicalista y delegado electo desde 2012, actualmente vicepresidente del Comité de Empresa del Ayuntamiento de Sagunto, Valencia. Es además formador y técnico superior en Salvamento y Socorrismo.
Aporta un profundo conocimiento del ámbito laboral, la negociación colectiva y las relaciones laborales en la administración pública.

O intelectual guineense Carlos Lopes será distinguido na segunda-feira, 26 de janeiro, com o Prémio Amílcar Cabral da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), tornando-se o primeiro laureado desta distinção criada pela universidade pública cabo-verdiana. A cerimónia de homenagem terá lugar no Centro de Convenções da Uni-CV, na cidade da Praia.

A atribuição do prémio foi anunciada numa nota institucional da universidade, que reconhece Carlos Lopes como uma das figuras mais relevantes do pensamento académico e político contemporâneo do Sul Global. O galardão visa distinguir personalidades e instituições cuja atuação académica, científica, cultural ou política se destaque na promoção de valores universais como a liberdade, a justiça social, a solidariedade e a dignidade humana.

Na véspera da cerimónia, Carlos Lopes manifestou publicamente a sua reação à distinção. “Fico emocionado por ter sido escolhido como primeiro laureado do Prémio Amílcar Cabral da Universidade de Cabo Verde, a ser conferido a 26 de janeiro”, escreveu na sua página oficial da rede social Facebook.

Paralelamente ao ato de entrega do prémio, o homenageado irá proferir uma conferência intitulada “A África e o fim das certezas multilaterais”. A intervenção abordará os desafios contemporâneos do continente africano num contexto internacional marcado por profundas transformações geopolíticas, económicas e institucionais, segundo informação divulgada pela Uni-CV.

O reitor da Universidade de Cabo Verde, Arlindo Barreto, afirmou que a conferência deverá contribuir para um debate qualificado sobre os caminhos possíveis para a afirmação de África no sistema global e para a construção de modelos de desenvolvimento mais equitativos e sustentáveis.

De acordo com a nota institucional, o prémio reconhece o notável contributo intelectual de Carlos Lopes, bem como a relevância do seu pensamento crítico na promoção de uma consciência emancipatória nas sociedades do Sul Global, com impacto duradouro nos domínios do desenvolvimento, da justiça social e da governação global.

O Prémio Amílcar Cabral inspira-se no legado intelectual e político de Amílcar Cabral, figura central da história contemporânea africana e referência do pensamento crítico, da ética do conhecimento e das lutas pela autonomia e autodeterminação dos povos africanos. A criação da distinção foi aprovada após um processo de auscultação que envolveu ex-reitores da Uni-CV, a Fundação Amílcar Cabral e familiares do pensador.

Carlos Lopes nasceu a 7 de março de 1960, em Canchungo, na Guiné-Bissau. Concluiu os estudos secundários em Bissau e prosseguiu a formação académica na Suíça, onde obteve o grau de mestre no Instituto Universitário de Altos Estudos Internacionais. Posteriormente, doutorou-se na Universidade Panthéon-Sorbonne, em Paris, com investigação centrada em África e no desenvolvimento do continente.

A sua carreira profissional iniciou-se no setor público guineense, nas áreas da investigação, diplomacia e planeamento. A partir de 1988, integrou o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) como economista, exercendo diversas funções, incluindo as de diretor-adjunto do Escritório de Avaliação, representante residente no Zimbabué e representante do PNUD no Brasil, a partir de 2003.

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