Tony Blair apoia o potencial económico de Moçambique em encontro-chave com Chapo

O antigo primeiro-ministro britânico classificou o país como “território estrategicamente importante”, enquanto o Banco Mundial revê em baixa o crescimento a curto prazo


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Equipo de edición de La Iberofonía, medio de comunicación del Ateneo Iberófono Juan Latino.

O antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair reuniu-se no passado dia 20 de julho, em Maputo, com o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, num encontro que reforçou o perfil internacional de Moçambique como destino de investimento, em plena corrida global pelo acesso à energia e aos minerais críticos.

Um apoio com nuances políticas

Blair, que intervém na qualidade de presidente executivo do Tony Blair Institute for Global Change (TBI), elogiou o Diálogo Nacional Inclusivo promovido por Maputo como mecanismo para construir o ambiente de governação estável que os investidores exigem. O antigo governante britânico apontou a energia, a mineração, a agricultura e o turismo como os quatro pilares do futuro económico do país, chegando a descrever Moçambique como um território com uma base sólida para crescer.

A Presidência moçambicana enquadrou o encontro num esforço mais amplo para consolidar parcerias internacionais orientadas para reformas estruturais, a modernização da administração pública e a promoção de investimentos.

A marca técnica do Instituto Blair

Por trás do gesto diplomático existe uma operação de assistência técnica muito concreta que está a condicionar o desenho do setor energético moçambicano. O TBI forma actualmente funcionários do Gabinete de Implementação do Projeto Hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa na economia do setor elétrico, com o objetivo de reforçar a viabilidade do projeto perante os financiadores internacionais.

A iniciativa conta com o apoio de 400 mil libras esterlinas de fundos do Governo britânico, formalizados em dezembro de 2025 e destinados especificamente a avançar com o projeto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, situado a jusante da barragem de Cahora Bassa.

Gás, hidroeletricidade e minerais críticos

Moçambique poderá tornar-se o quarto maior exportador mundial de gás natural liquefeito caso os projetos de GNL previstos se concretizem plenamente, enquanto o rio Zambeze oferece um potencial hidroeléctrico considerado o mais rentável da região para o desenvolvimento nacional. A barragem de Mphanda Nkuwa é apresentada como um dos projetos de energia limpa mais ambiciosos de África.

Previsões económicas: cautela a curto prazo, otimismo a longo prazo

O Banco Mundial prevê que o PIB de Moçambique recupere de forma gradual, passando de 0,9% em 2026 para 2,5% em 2028, impulsionado pela agricultura, os serviços e a retoma das obras de GNL. A instituição alerta, no entanto, que a inflação poderá subir até 7,5% este ano devido às disrupções alimentares provocadas pelas cheias e ao encarecimento do combustível ligado às tensões no Médio Oriente.

Os cenários de mais longo prazo são mais otimistas: o Instituto de Estudos de Segurança estima que um crescimento médio anual de 6% entre 2023 e 2043 poderia triplicar o PIB do país para cerca de 48,2 mil milhões de dólares graças às receitas do gás, enquanto a própria Estratégia Nacional de Desenvolvimento de Moçambique aspira a um crescimento anual de 9,2% e à transição para o estatuto de rendimento médio.

A incógnita pendente

O fator decisivo será se o Diálogo Nacional Inclusivo elogiado por Blair conseguirá consolidar a estabilidade suficiente para desbloquear as decisões finais de investimento nas fábricas de GNL e na barragem de Mphanda Nkuwa, ou se a insurgência no norte do país, rico em gás, e os desafios de governação continuarão a atrasar esse dividendo dos recursos naturais.


Redação La Iberofonia, com informação de The Rio Times.

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