La Iberofonía
Equipo de edición de La Iberofonía, medio de comunicación del Ateneo Iberófono Juan Latino.
Espanha enfrenta há vários dias uma vaga de incêndios florestais que obrigou à evacuação ou ao confinamento de mais de 100.000 pessoas e já consumiu mais de 77.000 hectares nas províncias de Ávila, Madrid e Toledo, segundo os últimos dados oficiais disponíveis até domingo. Perante a dimensão da emergência, o Governo espanhol ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil para solicitar apoio internacional, e Portugal foi um dos primeiros países a responder.
O dispositivo português no terreno
Segundo informou o Ministério do Interior espanhol através do Centro Nacional de Emergências (CENEM), Portugal enviou um contingente terrestre composto por 129 efetivos e 41 veículos, entre eles um bulldozer, nove veículos de comando, dois autotanques ligeiros, catorze autotanques pesados e várias unidades de apoio de água. Este dispositivo junta-se ao enviado pela Grécia e pela Itália (33 efetivos, dois aviões anfíbios Canadair e um avião de apoio, no caso grego; 14 especialistas e dois aviões Canadair, no italiano), enquanto a Turquia também contribuiu com meios para o operativo conjunto.
O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, visitou o posto de comando avançado em Ávila e afirmou que a evolução do controlo do fogo era positiva, embora tenha avisado que as próximas horas seriam complexas. O rei Filipe VI, por sua vez, agradeceu publicamente a colaboração dos países que enviaram ajuda e destacou o funcionamento do mecanismo europeu de proteção civil.
Uma ajuda que corresponde à recebida há algumas semanas
A resposta portuguesa chega apenas três semanas depois de Espanha ter enviado a Portugal 118 bombeiros e 45 veículos para colaborar no combate ao incêndio de Vouzela, no distrito de Viseu, que chegou a consumir 11.000 hectares no início de julho. Nessa ocasião, a Itália também contribuiu com dois aviões Canadair, no âmbito do mesmo mecanismo europeu de solidariedade perante catástrofes naturais.
Esta reciprocidade entre os dois países ilustra o funcionamento habitual da cooperação bilateral em matéria de proteção civil entre Espanha e Portugal, que se ativa de forma recorrente todos os verões perante os incêndios florestais que afetam a Península Ibérica.
Uma época de incêndios especialmente severa
A área ardida em Espanha durante 2026 já ultrapassa os 130.000 hectares, acima da média da última década, situada em torno dos 100.000 hectares anuais. O Exército espanhol foi mobilizado para apoiar os trabalhos de combate às chamas e de assistência à população evacuada, num contexto de temperaturas elevadas que também afetou fortemente a França, onde os incêndios obrigaram à evacuação de mais de 200.000 pessoas nas últimas semanas.
O Governo espanhol anunciou que esta terça-feira serão declarados como gravemente afetados os territórios devastados pelas chamas, um passo prévio à colocação em marcha dos apoios económicos de reconstrução para as populações afetadas.
Nota da redação: Da La Iberofonía queremos agradecer a ajuda enviada por Portugal, o nosso país irmão e vizinho, neste momento difícil para Espanha.
Redação La Iberofonia, com informação do Ministério do Interior de Espanha e de fontes de proteção civil de Espanha e Portugal.


