Jaime
A megaoperação policial lançada na terça-feira nos complexos de favelas do Alemão e da Penha contra a organização criminosa Comando Vermelho deixou pelo menos 121 mortos, segundo números oficiais, podendo ultrapassar os 130 de acordo com a Defensoria Pública do Estado. A ação mobilizou cerca de 2.500 agentes das forças de segurança e foi descrita como a mais letal da história do estado do Rio de Janeiro.
Desde quarta-feira, centenas de moradores têm protestado em frente ao Palácio Guanabara, denunciando execuções extrajudiciais e exibindo corpos nas ruas em sinal de repúdio.
O governo estadual defende que se tratou de uma operação contra o “narcoterrorismo”, enquanto organizações de direitos humanos, como a Human Rights Watch e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, exigem uma investigação independente sobre o uso excessivo da força.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou preocupação com a dimensão da operação e apelou a que o combate ao crime organizado “não coloque em risco a vida de civis”. O governador Cláudio Castro, por sua vez, afirmou que “não há outra forma de enfrentar grupos armados que controlam territórios e desafiam o Estado”.
A operação provocou o encerramento de escolas, a suspensão de linhas de transporte público e um clima de tensão generalizada nas zonas afetadas. As autoridades anunciaram mais de 110 detenções, a apreensão de 118 armas de fogo e de mais de uma tonelada de drogas. Pelo menos quatro agentes morreram nos confrontos.
O Congresso Nacional prepara a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar tanto a atuação das forças de segurança como a expansão das redes de tráfico nas favelas do Rio. A Defensoria Pública e o Ministério Público estadual recolhem depoimentos de familiares e testemunhas.
O episódio ocorre a poucos dias da realização da Cimeira do Clima COP30, em Belém do Pará, e reacende o debate sobre os métodos de segurança pública no Brasil. Analistas políticos advertiram que o caso pode ter repercussões na imagem internacional do país e pressionar o governo federal a rever a coordenação das forças estaduais.


