Juan Lacomba
(España) Editor de la Iberofonía, es licenciado en Derecho y en Relaciones Laborales. Sindicalista y delegado electo desde 2012, actualmente vicepresidente del Comité de Empresa del Ayuntamiento de Sagunto, Valencia. Es además formador y técnico superior en Salvamento y Socorrismo.
Aporta un profundo conocimiento del ámbito laboral, la negociación colectiva y las relaciones laborales en la administración pública.
O Governo de Moçambique atualizou na sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, o balanço do temporal de chuvas e inundações que afeta o sul do país desde dezembro, confirmando 114 mortos e quase 600 mil pessoas afetadas, segundo dados oficiais divulgados pela Presidência.
Numa conferência de imprensa realizada a 22 de janeiro, em Xai-Xai, capital da província de Gaza, o porta-voz da Presidência, o ministro Inocêncio Impissa, indicou que 594.681 pessoas foram afetadas pelas inundações registadas nas províncias de Gaza e Maputo, bem como na cidade de Maputo.
De acordo com as autoridades, entre segunda-feira, 19 de janeiro, e quinta-feira, 22 de janeiro, foram registadas 11 novas mortes, causadas sobretudo por descargas elétricas, afogamentos e desabamentos de paredes, associados às chuvas intensas e persistentes.
Moçambique encontra-se em plena época chuvosa, cujo término está previsto para março de 2026, e os serviços meteorológicos nacionais preveem novas precipitações intensas e a possível formação de pelo menos dois ciclones tropicais nas próximas semanas.
Os danos em infraestruturas continuam a aumentar, segundo o balanço oficial. As autoridades contabilizam 65.000 habitações danificadas, 24 unidades de saúde e 43 escolas inundadas, além de milhares de quilómetros de estradas intransitáveis. Estima-se ainda a perda de cerca de 20.000 hectares de terras agrícolas.
As chuvas ininterruptas durante mais de uma semana, aliadas ao aumento do caudal proveniente de países vizinhos como África do Sul e Zimbabué, provocaram o transbordo de vários rios. Esta situação deixou a capital, Maputo, parcialmente isolada por via terrestre em relação a outras regiões do país.
Organizações humanitárias referiram que a abertura, em 20 de janeiro de 2026, de 14 comportas da barragem de Massingir libertou cerca de 17.000 metros cúbicos de água por segundo. A descarga levou ao transbordo do rio Limpopo, inundando a cidade de Chókwè e vastas áreas do distrito de Guijá, na província de Gaza.
A organização Save the Children alertou para o risco enfrentado por milhares de crianças nas zonas afetadas. A ONG indicou que alguns centros de deslocados acolhem simultaneamente pessoas e gado, o que representa riscos acrescidos de saúde e higiene para os menores. Segundo a organização, “os recursos são extremamente limitados” face à dimensão das necessidades humanitárias.
Perante o agravamento da situação, as autoridades moçambicanas solicitaram às Nações Unidas reforço do apoio internacional, incluindo meios aéreos para operações de resgate, transporte de ajuda humanitária e assistência técnica e logística. Em resposta, a Força Nacional de Defesa da África do Sul anunciou o envio de um helicóptero e uma equipa de resgate para apoiar as operações no país vizinho.
O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, cancelou a sua participação no Fórum Económico Mundial de Davos para acompanhar no terreno a evolução da emergência, segundo um comunicado oficial da Presidência divulgado a 21 de janeiro de 2026.
As autoridades continuam a avaliar os danos e a coordenar a resposta com parceiros internacionais, enquanto comunidades inteiras nas províncias mais afetadas enfrentam dificuldades no acesso a serviços básicos e na recuperação dos seus meios de subsistência após semanas de cheias.


