Jaime
O Governo do estado de Goa anunciou a criação de uma unidade especial de vigilância costeira destinada a controlar a mineração ilegal de areia e a poluição nos rios Mandovi, Zuari e Tiracol. A medida surge na sequência de confrontos recentes em Pernem, que expuseram redes de extração clandestina e falhas na fiscalização ambiental.
O Departamento de Recursos Mineiros e Geologia informou que a nova força atuará em coordenação com a Polícia Estadual, a Guarda Costeira e a Comissão de Controlo da Poluição, utilizando drones, barcaças de inspeção e marcação digital dos pontos de extração autorizados. Segundo o secretário do departamento, Vikram Vernekar, o objetivo é “acabar com a economia paralela que destrói margens fluviais e compromete comunidades pesqueiras”.
A decisão é apoiada pelo Centro de Educação Ambiental e Desenvolvimento (CEED), que há anos denuncia o impacto da extração sem licença sobre recifes e mangais. O ativista Claude Alvares sublinhou que “o controlo tem de ser diário e público, não apenas quando há tragédias”.
De acordo com dados do Governo, Goa registou mais de 120 processos por mineração irregular em 2025, com prejuízos estimados em 20 milhões de rupias para o erário público. A atividade ilegal tende a intensificar-se após o início das obras portuárias e a procura crescente por agregados na construção civil. O novo dispositivo prevê licenciamento digital, sistema de GPS obrigatório para transportadores e criação de um banco de dados público acessível às prefeituras.
O executivo regional planeia ainda campanhas educativas sobre impacto ambiental e riscos de erosão costeira, em articulação com universidades locais. Analistas consideram a decisão “um passo importante”, mas alertam que será necessária fiscalização constante para garantir eficácia e prevenir corrupção local.


