Governo avança com reforço naval no Norte

Maputo quer travar ataques e proteger gás offshore

Missão Militar da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC)

Jaime Jaime

O Governo moçambicano anunciou esta semana um reforço da presença naval ao largo de Cabo Delgado, com o objetivo de proteger rotas de abastecimento, plataformas de gás natural e comunidades costeiras afetadas por ataques intermitentes de grupos insurgentes. Segundo o Ministério da Defesa, a nova fase da estratégia de segurança incluirá patrulhas permanentes, modernização de radares costeiros e a entrada em operação de duas lanchas rápidas adquiridas no âmbito de um acordo de cooperação com um parceiro europeu.

A medida surge dias depois de a Missão Militar da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) ter iniciado o seu processo de retirada faseada, após quatro anos a apoiar as Forças Armadas de Moçambique no combate ao extremismo em Palma, Mocímboa da Praia e Macomia. Com a saída progressiva dos contingentes regionais, Maputo procura consolidar uma força marítima própria, capaz de garantir segurança portuária, vigilância das instalações de Coral Sul FLNG — o megaprojeto de gás natural ao largo da península de Afungi — e proteção das comunidades pesqueiras.

Fontes oficiais citadas pela Agência Lusa afirmam que o Governo está a implementar um “plano de transição” que envolve não só reforço militar, mas também infraestruturas civis, estradas de acesso, expansão de telecomunicações e programas de reintegração social para deslocados internos. Organizações humanitárias insistem que há ainda dezenas de milhares de famílias a necessitar de assistência regular, sobretudo em zonas rurais onde persistem movimentos esporádicos de células armadas.

No plano económico, o Ministério dos Recursos Minerais considera “estratégica” a proteção das rotas marítimas num momento em que Moçambique se prepara para aumento de exportações de GNL. Analistas sublinham que a segurança marítima tornou-se “condição fundamental” para a retoma de grandes operações suspensas desde 2021.

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