Trabalhadores municipais paralisam actividades em Mandlakazi

Greve entra no quarto dia devido a salários em atraso há três meses, segundo funcionários e autoridades locais

Huelga de Funcionarios en Mozambique

Juan Lacomba Juan Lacomba

(España) Editor de la Iberofonía, es licenciado en Derecho y en Relaciones Laborales. Sindicalista y delegado electo desde 2012, actualmente vicepresidente del Comité de Empresa del Ayuntamiento de Sagunto, Valencia. Es además formador y técnico superior en Salvamento y Socorrismo.
Aporta un profundo conocimiento del ámbito laboral, la negociación colectiva y las relaciones laborales en la administración pública.

Mais de cem trabalhadores do Conselho Municipal da vila de Mandlakazi, na província de Gaza, mantêm uma greve que já dura quatro dias, em protesto contra o atraso no pagamento de salários, acumulado há três meses. A paralisação afecta de forma total o funcionamento da edilidade, incluindo sectores essenciais, como fiscalização municipal e salubridade.

De acordo com os funcionários em greve, a situação não é pontual nem recente. Os atrasos salariais, segundo afirmam, ocorrem desde 2024, gerando instabilidade laboral e dificuldades financeiras para os trabalhadores e suas famílias. A reivindicação central incide no pagamento imediato dos salários em dívida, condição considerada indispensável para o regresso às actividades.

Além do incumprimento salarial, os trabalhadores apontam problemas estruturais no funcionamento do município. Entre as queixas estão falhas de liderança, falta de coordenação interna e alegadas práticas irregulares na gestão municipal. Um dos aspectos destacados é a saída de quase todos os contabilistas do município, que, segundo os funcionários, se recusaram a cumprir orientações superiores.

Esta situação terá deixado o sector de contabilidade praticamente sem profissionais qualificados, dificultando a execução de procedimentos administrativos e financeiros. Um funcionário, que pediu anonimato, afirmou que o descontentamento vai além da questão salarial. “Estamos a reivindicar não só os salários, mas também a postura dos nossos dirigentes. Há arrogância, falta de coordenação e pouca consideração pelos trabalhadores. A contabilidade está praticamente paralisada devido ao afastamento dos contabilistas”, declarou.

A greve teve início na segunda-feira, mas, segundo os trabalhadores, a liderança municipal apenas se deslocou ao local na quarta-feira, após intervenção de terceiros. Durante esse contacto, a presidente do Conselho Municipal apelou ao regresso ao trabalho, enquanto se procuravam soluções para o problema salarial. O apelo foi rejeitado, com os grevistas a reiterarem que só retomarão as funções após o pagamento ou crédito dos salários nas contas bancárias.

A presidente do Conselho Municipal de Mandlakazi, Francelina Nhantumbo, confirmou a paralisação total das actividades e reconheceu o impacto da greve nos serviços municipais. Segundo explicou, o atraso no pagamento dos salários resulta da fraca capacidade de arrecadação de receitas próprias por parte do município, apesar da autonomia financeira de que dispõe. Informou ainda que estão em curso contactos com o Governo central para a mobilização de fundos que permitam regularizar a dívida salarial.

A situação em Mandlakazi enquadra-se num contexto mais amplo de atrasos salariais em vários municípios da província de Gaza. A governadora provincial, Margarida Mapandzene Chongo, reconheceu que o problema afecta também Chibuto, Chókwè, Macia e Bilene. “Não estão a ser pagos dois meses e este é o terceiro que ainda não fecha. Esta situação não afecta apenas Mandlakazi”, afirmou.

De acordo com a governadora, apenas o município de Xai-Xai conseguiu resolver a situação, recorrendo a mecanismos alternativos de financiamento. As autoridades provinciais indicam que a realidade salarial nos municípios continua a ser acompanhada, enquanto decorrem esforços institucionais para mitigar os efeitos da crise sobre os trabalhadores e os serviços públicos locais.

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