Juan Lacomba
(España) Editor de la Iberofonía, es licenciado en Derecho y en Relaciones Laborales. Sindicalista y delegado electo desde 2012, actualmente vicepresidente del Comité de Empresa del Ayuntamiento de Sagunto, Valencia. Es además formador y técnico superior en Salvamento y Socorrismo.
Aporta un profundo conocimiento del ámbito laboral, la negociación colectiva y las relaciones laborales en la administración pública.
A União Africana (UA) anunciou esta sexta-feira a suspensão imediata de Guiné-Bissau de todas as suas atividades, na sequência do golpe militar ocorrido na quarta-feira, um dia antes da divulgação dos resultados oficiais das eleições presidenciais e legislativas. O organismo reiterou a sua política de “tolerância zero face a alterações inconstitucionais de governo” e solicitou o restabelecimento do ordenamento constitucional.
A decisão segue-se à tomada de posição da CEDEAO, que horas antes também suspendeu o país dos seus órgãos decisórios devido à interrupção do processo eleitoral. O golpe ocorreu num clima de tensão, depois de tanto o candidato da oposição, Fernando Dias, como o presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, se terem declarado vencedores antes da publicação dos resultados oficiais. Ativistas guineenses indicaram que a contagem preliminar favorecia Dias.
Na quarta-feira, às 12h40, um grupo denominado Alto Comando Militar para o Restabelecimento da Segurança Nacional e da Ordem Pública anunciou ter assumido o controlo do país e suspendido as eleições. Embaló, inicialmente detido, declarou por telefone que se tratava de um golpe militar “sem violência”.
Contudo, múltiplas vozes dentro e fora do país questionaram a autenticidade do levantamento. O primeiro-ministro do Senegal, Ousmane Sonko, qualificou a situação como um “conluio”, sugerindo que o próprio Embaló poderia ter encenado um golpe simulado diante da iminente derrota eleitoral. Numa linha semelhante, o ex-presidente nigeriano Goodluck Jonathan criticou o que chamou de “golpe cerimonial”, apontando inconsistências na atuação militar e na liberdade com que Embaló fez declarações durante o assalto ao poder.
No meio da incerteza, Embaló deixou o Senegal com destino ao Congo, conforme revelou a revista Jeune Afrique, chegando a Brazzaville na madrugada de sábado num avião disponibilizado pela presidência congolesa.
Entretanto, os militares juramentaram o general Horta Inta-A como chefe do governo de transição por um período de um ano. A comunidade internacional acompanha com atenção a situação num país historicamente marcado por golpes de Estado e instabilidade política, além de ser um ponto estratégico nas rotas do narcotráfico entre a Iberofonía e a Europa.


