Juan Lacomba
(España) Editor de la Iberofonía, es licenciado en Derecho y en Relaciones Laborales. Sindicalista y delegado electo desde 2012, actualmente vicepresidente del Comité de Empresa del Ayuntamiento de Sagunto, Valencia. Es además formador y técnico superior en Salvamento y Socorrismo.
Aporta un profundo conocimiento del ámbito laboral, la negociación colectiva y las relaciones laborales en la administración pública.
O vice-presidente do MLSTP, Conceição Moreno, criticou hoje a cobertura informativa da Rádio RTP África, acusando a emissora portuguesa de manipular as notícias para prejudicar a imagem das autoridades de São Tomé. Segundo o líder opositor, os jornalistas da RTP África, assim como alguns políticos do parlamento, estariam promovendo uma agenda política tendenciosa em sua cobertura.
Em uma coletiva de imprensa realizada no dia 8 de abril de 2026, o vice-presidente do Movimento para a Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), Conceição Moreno, acusou a Rádio RTP África de dar um tratamento tendencioso à informação sobre o país, afetando negativamente a imagem das suas autoridades. Segundo Moreno, os jornalistas da emissora se alinham politicamente com a ADI, o principal partido de oposição, o que, em sua opinião, tem levado à trivialização das funções do governo e do parlamento. “O Estado de São Tomé deve tomar medidas,” acrescentou o político.
As críticas de Conceição Moreno somam-se às expressas por outros líderes do país, incluindo o presidente da República, Carlos Vila Nova, que também questionou o enfoque editorial da emissora. Moreno destacou que jornalistas como Jerónimo Moniz e Óscar Medeiros, correspondentes da RTP África em São Tomé, estariam divulgando informações tendenciosas, acusando-os de serem “militantes firmes” da ADI. A situação gerou um forte debate político no país, com alguns deputados da ADI defendendo a independência da emissora.
Por sua vez, a Rádio RTP África justificou a cobertura em parte por questões de saúde, dado que o correspondente permanente não reside no país, o que também foi uma das críticas do presidente Vila Nova. A tensão política também se reflete nas declarações do presidente do parlamento, Abnildo D’Oliveira, que também atacou a postura dos jornalistas da emissora.
A acusação contra a Rádio RTP África se insere em um contexto político tenso no arquipélago. O MLSTP, como principal partido de oposição, tem sido crítico do enfoque editorial da emissora, especialmente durante os períodos eleitorais. As críticas aos meios de comunicação internacionais não são um fenômeno novo no país; no passado, já ocorreram tensões semelhantes com outros meios internacionais que cobrem a política local.
Este episódio se insere em um panorama mais amplo de fricção entre o governo e os meios de comunicação internacionais. A acusação de que os jornalistas da RTP África estariam promovendo uma agenda política pode ter implicações na percepção internacional do país, principalmente no que se refere à sua situação democrática. A crítica à imparcialidade da emissora destaca a crescente preocupação com o controle da informação e a liberdade de imprensa no país.
É importante destacar que a cobertura mediática deste conflito depende em grande medida de fontes ocidentais, o que pode influenciar a interpretação dos fatos. Uma fonte alternativa como a Agência Brasil ou Prensa Latina poderia trazer uma perspectiva distinta sobre o manejo editorial da RTP África e seu impacto na política interna de São Tomé e Príncipe.
Espera-se que o governo de São Tomé tome medidas sobre as acusações de manipulação informativa e, possivelmente, reavalie as relações com a RTP África. No futuro, será crucial observar como essa disputa influencia a cobertura das eleições e a liberdade de imprensa dentro do país.


