Juan Lacomba
(España) Editor de la Iberofonía, es licenciado en Derecho y en Relaciones Laborales. Sindicalista y delegado electo desde 2012, actualmente vicepresidente del Comité de Empresa del Ayuntamiento de Sagunto, Valencia. Es además formador y técnico superior en Salvamento y Socorrismo.
Aporta un profundo conocimiento del ámbito laboral, la negociación colectiva y las relaciones laborales en la administración pública.
São Tomé e Príncipe registou 4.298 casos de paludismo em 2025, segundo o balanço anual apresentado pelo Programa Nacional de Luta Contra o Paludismo (PNLP), num contexto de aumento da incidência da doença nos últimos anos. Os dados foram divulgados durante um seminário nacional sobre paludismo, tuberculose e HIV-Sida, realizado na capital são-tomense, com a presença das principais autoridades do Estado.
De acordo com a diretora interina do PNLP, Felícia Sousa, o número de casos registados ao longo de 2025 ultrapassa o limiar considerado habitual. “O número de casos está muito acima do limiar, desde o início do ano”, afirmou, acrescentando que, apesar do volume de infeções, não foram registados óbitos por paludismo no período em análise.
O balanço apresentado abrange os últimos cinco anos, nos quais o país contabilizou 20.493 casos da doença. Em 2021, foram registados 2.730 casos, número que subiu para 3.979 em 2022. Em 2023, os casos diminuíram para 2.368, voltando a aumentar de forma significativa em 2024, com 7.118 casos, e mantendo-se elevados em 2025, com 4.298 notificações.
A responsável do programa indicou que o volume de casos observado em 2025 se aproxima de um cenário epidémico, avaliação que foi, no entanto, relativizada pelo ministro da Saúde, Celso Matos. Em declarações à agência Lusa, o governante reconheceu o aumento da incidência, mas afirmou ter reservas quanto à classificação da situação como epidemia.
Segundo Celso Matos, São Tomé e Príncipe encontra-se numa zona endémica de paludismo há décadas, o que exige cautela na utilização de determinados conceitos epidemiológicos. “Nos últimos dois anos, passou-se aquilo que era esperado”, afirmou, sublinhando que o Governo optou por promover o seminário precisamente para analisar os dados e discutir medidas de resposta com especialistas e decisores políticos.
O ministro assegurou ainda que o executivo não pretende ocultar informação, referindo que a apresentação pública dos dados foi feita por iniciativa governamental. “Não temos a mínima intenção de ocultar dados”, declarou, acrescentando que a divulgação visa refletir a realidade sem minimizar a gravidade da situação.
Questionado sobre a eventual declaração oficial de epidemia, Celso Matos afirmou que essa decisão compete aos epidemiologistas, frisando que o país atravessa um momento de pico de paludismo que exige intervenção e reajuste das estratégias em curso.
Na abertura do seminário, o ministro classificou o paludismo como um grave problema de saúde pública, com impacto direto no desenvolvimento socioeconómico do arquipélago. Apesar dos avanços registados nas últimas duas décadas, os dados mais recentes revelam uma tendência de crescimento, comprometendo a meta nacional de eliminação da doença.
Entre as medidas anunciadas pelo Governo estão o reforço da vigilância epidemiológica, a ampliação do diagnóstico precoce, o acesso ao tratamento eficaz, a intensificação das ações no terreno, a melhoria da gestão ambiental e a promoção da educação sanitária junto das comunidades.
O Presidente da República, Carlos Vila Nova, defendeu que a saúde deve assumir-se como uma causa nacional, alertando para o impacto do paludismo, do HIV-Sida e da tuberculose no tecido social e económico do país. “São enfermidades que afetam famílias, comprometem o desenvolvimento económico e fragilizam o potencial produtivo da Nação”, afirmou.
O chefe de Estado sublinhou ainda que a resposta às doenças endémicas requer ação coordenada entre todos os setores, investimento contínuo e responsabilidade partilhada, destacando que são enfermidades preveníveis e controláveis com mobilização sustentada.


