Libertados seis opositores detidos após golpe de Estado na Guiné-Bissau

Junta militar anunciou libertação um mês após deposição de Umaro Sissoco Embaló e suspensão do processo eleitoral

Bandera de Guinea Bissau en edificio Público

Juan Lacomba Juan Lacomba

(España) Editor de la Iberofonía, es licenciado en Derecho y en Relaciones Laborales. Sindicalista y delegado electo desde 2012, actualmente vicepresidente del Comité de Empresa del Ayuntamiento de Sagunto, Valencia. Es además formador y técnico superior en Salvamento y Socorrismo.
Aporta un profundo conocimiento del ámbito laboral, la negociación colectiva y las relaciones laborales en la administración pública.

Seis opositores políticos detidos desde o golpe de Estado de 26 de novembro na Guiné-Bissau foram libertados na noite de 24 de dezembro, segundo um comunicado da junta militar que assumiu o poder no país. As detenções ocorreram no contexto da interrupção do processo eleitoral presidencial e legislativo, cujos resultados provisórios seriam divulgados no dia seguinte ao golpe.

De acordo com o comunicado do alto comando militar, órgão governativo instituído após a tomada do poder, as libertações representam “um sinal de boa-fé e um compromisso para o regresso à normalidade constitucional e ao respeito pelo direito internacional”. As seis pessoas libertadas são aliados próximos de Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde).

O golpe teve lugar um dia antes do anúncio dos resultados eleitorais, quando militares depuseram o então Presidente Umaro Sissoco Embaló, no cargo desde 2020. Após os acontecimentos, o processo eleitoral foi suspenso, e várias figuras da oposição foram detidas pelas forças militares.

Entre os opositores visados encontra-se Domingos Simões Pereira, detido no próprio dia do golpe e que permanece sob custódia, segundo informações disponíveis. Outro candidato da oposição, Fernando Dias, que reclama vitória eleitoral, refugiou-se na embaixada da Nigéria em Bissau, onde lhe foi concedido asilo diplomático.

As autoridades militares indicaram que as libertações ocorreram após contactos diplomáticos regionais. No domingo anterior, uma delegação do Senegal, liderada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, deslocou-se a Bissau e reuniu-se com membros da oposição detidos, tendo solicitado a sua libertação.

Após o golpe, Umaro Sissoco Embaló, inicialmente detido, abandonou o país. A junta militar nomeou posteriormente o general Horta N’Tam, aliado próximo do antigo chefe de Estado, como presidente de um governo de transição, com uma duração anunciada de um ano.

A situação política levou a reações de organizações regionais e internacionais. Na semana passada, a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) anunciou a possibilidade de impor sanções direcionadas a indivíduos que obstruam o regresso à governação civil. A Guiné-Bissau encontra-se actualmente suspensa da CEDEAO, da União Africana e da CPLP, organização na qual exercia a presidência rotativa.

Sectores da oposição e algumas figuras internacionais afirmaram que o golpe teria sido planeado para impedir a divulgação dos resultados eleitorais, alegações que não foram confirmadas por fontes independentes. O processo político permanece em curso, com várias figuras da oposição ainda detidas e negociações diplomáticas em desenvolvimento.

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