Junta liberta dois líderes da oposição na Guiné-Bissau

Simões Pereira e Dias da Costa regressam a casa após mediação senegalesa e anúncio eleitoral

Fernando Dias da Costa

Juan Lacomba Juan Lacomba

(España) Editor de la Iberofonía, es licenciado en Derecho y en Relaciones Laborales. Sindicalista y delegado electo desde 2012, actualmente vicepresidente del Comité de Empresa del Ayuntamiento de Sagunto, Valencia. Es además formador y técnico superior en Salvamento y Socorrismo.
Aporta un profundo conocimiento del ámbito laboral, la negociación colectiva y las relaciones laborales en la administración pública.

A junta militar que governa a Guiné-Bissau desde o golpe de Estado no final de novembro autorizou o regresso aos seus domicílios dos opositores Domingos Simões Pereira e Fernando Dias da Costa, no âmbito de medidas apresentadas como parte de um processo de distensão política.

Simões Pereira, ex-primeiro-ministro e líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), encontrava-se detido desde a assonada liderada pelo general Horta N’Tam, na sequência das tensões geradas pelas eleições presidenciais de novembro. Nessas eleições, tanto o então Presidente deposto, Umaro Sissoco Embaló, como o candidato opositor Dias da Costa reclamaram vitória antes da divulgação oficial dos resultados, cuja publicação foi suspensa após o golpe.

De acordo com familiares citados pela agência Lusa, Simões Pereira saiu da prisão da Segunda Esquadra por volta das 20h00 de sexta-feira. Foi acompanhado pelo ministro da Defesa do Senegal, Birame Diop, que atua como mediador na crise, e conduzido à sua residência na periferia de Bissau. Permanece em prisão domiciliária enquanto decorre um processo judicial por alegada apropriação indevida de fundos públicos.

Também Fernando Dias da Costa deixou a Embaixada da Nigéria, onde se encontrava refugiado desde o golpe. O candidato presidencial foi igualmente acompanhado pelo ministro senegalês até à sua residência, segundo testemunhos citados pelo jornal O Democrata, que divulgou imagens da sua chegada.

As decisões ocorrem após o anúncio, a 22 de janeiro, da realização de eleições gerais em dezembro deste ano, conforme previsto na denominada Carta de Transição. O calendário eleitoral integra os compromissos assumidos pelas autoridades militares para enquadrar o processo político após a rutura institucional.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) manifestou satisfação com as medidas adotadas, considerando-as passos para promover um ambiente político inclusivo e avançar no restabelecimento da ordem constitucional.

Num comunicado, a organização apelou à libertação de todos os presos políticos e instou as partes envolvidas a cooperar numa transição pacífica que conduza a eleições democráticas. Reiterou ainda o seu apoio ao povo da Guiné-Bissau durante o processo de transição.

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