Exclusão de Domingos Simões Pereira reacende tensão política

A exclusão do ex-primeiro-ministro da lista provisória de candidatos presidenciais intensifica o confronto entre Governo e oposição


Jaime Jaime

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Guiné-Bissau excluiu o nome do ex-primeiro-ministro Domingos Simões Pereira da lista provisória de candidatos à presidência da República, decisão que provocou forte contestação no seio do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e gerou protestos entre apoiantes em Bissau.

Segundo fontes da CNE, a exclusão baseia-se em alegadas irregularidades formais no processo de candidatura, nomeadamente na certificação de assinaturas de apoio e na apresentação de comprovativos de residência. Contudo, o PAIGC afirma tratar-se de uma decisão política, orientada para impedir o regresso de Simões Pereira à corrida presidencial.

O antigo primeiro-ministro, que já disputou as eleições de 2019, classificou a decisão como uma “manobra antidemocrática” e prometeu recorrer ao Supremo Tribunal de Justiça, órgão competente para validar as candidaturas. Em declarações à imprensa, Simões Pereira apelou à calma dos seus militantes e garantiu que continuará “a lutar por uma Guiné-Bissau justa e estável”.

A decisão surge num momento de forte tensão institucional, marcado pela dissolução intermitente do Parlamento, pelo adiamento de reformas constitucionais e por divergências entre o Presidente Umaro Sissoco Embaló e a oposição. O ambiente político tem sido descrito por observadores internacionais como “frágil e polarizado”, com riscos de instabilidade antes das eleições previstas para 23 de novembro de 2025.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e a União Africana apelaram à transparência do processo eleitoral e à necessidade de diálogo político inclusivo, salientando que a estabilidade da Guiné-Bissau é essencial para a segurança.


A exclusão de Domingos Simões Pereira reabre antigas feridas na política guineense e evidencia o impasse entre instituições que disputam legitimidade e controlo do poder. Desde a independência, a Guiné-Bissau vive sob um ciclo de transições instáveis, marcado por golpes de Estado, dissoluções parlamentares e falta de continuidade governativa.

Artículos