Jaime
A vida política da Guiné-Bissau continua marcada por forte tensão após a apresentação, esta semana, de uma proposta de revisão da lei eleitoral, contestada pela oposição e criticada por organizações cívicas. O debate ocorre num clima já frágil, depois de várias denúncias de interferência política em instituições do Estado e de disputas internas dentro da própria coligação governamental.
Segundo informações divulgadas pela imprensa local e confirmadas pela Agência Lusa, a proposta governamental prevê alterações no processo de recenseamento, regras de fiscalização e composição dos órgãos de gestão eleitoral. A oposição acusa o Executivo de tentar “condicionar o processo democrático”, alegando falta de consultas e ausência de auditoria prévia ao arquivo eleitoral. O Governo, por sua vez, defende que as mudanças são “necessárias para estabilidade e transparência”.
Enquanto o Parlamento se prepara para discutir o texto na especialidade, várias organizações regionais — incluindo representantes da CEDEAO — têm apelado ao diálogo político e à garantia de um processo “inclusivo e tecnicamente credível”. Analistas lembram que a Guiné-Bissau enfrenta ciclos frequentes de instabilidade institucional, que afetam a economia, atrasam projetos de infraestrutura e fragilizam a governação.
No plano económico, o Ministério das Finanças admite uma “redução significativa” na receita fiscal ao longo dos últimos meses, sobretudo devido a constrangimentos no setor do caju, principal produto de exportação do país. Organizações internacionais alertam que a combinação de fragilidade política e queda de receita poderá exigir medidas de apoio externo adicionais.
Setores da sociedade civil pedem maior “transparência, previsibilidade e respeito institucional” antes da calendarização de novas eleições.


