CE aponta sobrevalorização de 25% nos preços da habitação

Portugal apresenta maior desfasamento de preços e rendimentos na habitação entre países da União Europeia desde 2016


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Equipo de edición de La Iberofonía, medio de comunicación del Ateneo Iberófono Juan Latino.

A Comissão Europeia anunciou que os preços das habitações em Portugal estão sobrevalorizados em cerca de 25%, o valor mais elevado entre os Estados-Membros da União Europeia. Segundo um relatório divulgado, a diferença entre o crescimento dos preços da habitação e o aumento dos rendimentos tem-se acentuado desde 2016, ampliando o fosso entre ambos nos últimos anos. O documento indica que o aumento dos preços imobiliários foi também intenso em países como Países Baixos, Hungria, Luxemburgo, Irlanda, República Checa e Áustria, em alguns casos excedendo os 200% desde 2015.

Este relatório integra a apresentação do primeiro plano europeu para promover a habitação a preços acessíveis. As medidas propostas incluem uma estratégia para construção de novos imóveis, reabilitação de edifícios devolutos e simplificação dos processos administrativos para a obtenção de licenças de construção. A revisão das regras de auxílios de Estado visa facilitar investimentos públicos e privados no setor da habitação acessível e social.

A Comissão Europeia destaca ainda ações contra a especulação imobiliária e a criação de novos enquadramentos legais para o alojamento local, permitindo que autoridades regionais e locais regulem o mercado habitacional. O plano dedica atenção específica a jovens e estudantes, considerados grupos mais afetados pela escassez de oferta e custos elevados. Prevê-se reforço do investimento em residências universitárias e medidas para evitar exigências excessivas nas cauções.

O plano prevê a necessidade de construir cerca de 650 mil novas habitações anuais na União Europeia durante a próxima década, implicando um investimento estimado em 150 mil milhões de euros por ano. O relatório salienta que a pressão do alojamento local, associada ao aumento das rendas e dos custos energéticos, dificulta ainda mais o acesso à habitação, sobretudo a famílias com rendimentos mais baixos.

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