Juan Lacomba
(España) Editor de la Iberofonía, es licenciado en Derecho y en Relaciones Laborales. Sindicalista y delegado electo desde 2012, actualmente vicepresidente del Comité de Empresa del Ayuntamiento de Sagunto, Valencia. Es además formador y técnico superior en Salvamento y Socorrismo.
Aporta un profundo conocimiento del ámbito laboral, la negociación colectiva y las relaciones laborales en la administración pública.
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reafirmou esta quinta-feira, em Lisboa, a unidade do espaço lusófono na resposta à crise política na Guiné-Bissau, sublinhando que o acompanhamento da situação envolve vários atores internacionais e não se limita à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).
A posição foi transmitida pela secretária-executiva da CPLP, Maria de Fátima Jardim, no final de um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Bendito Freitas, realizado na sede da organização. Timor-Leste assumiu, em dezembro, a presidência da CPLP, cargo que exercerá até 2027.
Segundo Maria de Fátima Jardim, durante a reunião foi reafirmada a decisão dos chefes de Estado e de Governo da organização de manter um acompanhamento próximo e coordenado da situação na Guiné-Bissau, no quadro da concertação lusófona. A responsável indicou que está prevista uma missão da CPLP ao país, conforme deliberado na última cimeira, embora sem avançar uma data concreta para a sua realização.
A Guiné-Bissau foi suspensa da CPLP na sequência do golpe de Estado de 26 de novembro de 2025, que depôs o Presidente Umaro Sissoco Embaló, interrompeu o processo eleitoral em curso e impediu a divulgação dos resultados das eleições gerais realizadas três dias antes. Na mesma decisão, os líderes da organização retiraram ao país a presidência rotativa da Comunidade.
Em conferência de imprensa, a secretária-executiva explicou que a missão prevista terá “vários níveis” e que a CPLP mantém contactos regulares com diferentes interlocutores guineenses. Reiterou ainda que a atuação internacional no país envolve uma articulação mais ampla, na qual a CEDEAO desempenha um papel relevante, mas “não está a atuar sozinha”.
Nos últimos dias, a CEDEAO realizou duas visitas a Bissau. No fim de semana, o presidente em exercício da organização regional, Julius Maada Bio, liderou uma missão de alto nível para dialogar com o alto-comando militar que assumiu o poder e instaurou um Governo de transição com a duração máxima de um ano. O executivo transitório é liderado pelo general Horta Inta-A, antigo chefe do Estado-Maior do Presidente deposto.
De acordo com Julius Maada Bio, a missão reiterou junto da junta militar as decisões tomadas pela CEDEAO na sua 68.ª reunião, realizada em Abuja, capital da Nigéria. Nesse encontro, a organização regional rejeitou o “programa de transição anunciado pelos líderes militares”, exigiu a libertação imediata dos detidos políticos e defendeu uma “transição de curta duração, liderada por um Governo inclusivo”.
Maria de Fátima Jardim afirmou que a CPLP partilha esses princípios e defende um regresso à ordem constitucional. A secretária-executiva apelou ao respeito pela Constituição em vigor antes das eleições e solicitou que os “detidos sejam imediatamente libertados”.
O alto-comando militar anunciou recentemente uma nova Constituição, mas corrigiu posteriormente algumas das alterações divulgadas. Entre os pontos referidos consta a atribuição ao Presidente da República do poder de nomear o primeiro-ministro independentemente dos resultados eleitorais, bem como a mudança do órgão responsável pela investidura presidencial.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste iniciou esta quinta-feira uma visita de trabalho a Portugal, que decorre até 21 de janeiro, com enfoque na presidência timorense da CPLP e na situação política na Guiné-Bissau. A organização lusófona assinala este ano o seu 30.º aniversário.


