La Iberofonía
Equipo de edición de La Iberofonía, medio de comunicación del Ateneo Iberófono Juan Latino.
Portugal vai às urnas no próximo 18 de janeiro para eleger o seu Presidente da República num dos processos eleitorais mais abertos desde 1976. Entre os onze candidatos inscritos encontra-se o músico e artista Manuel João Vieira, que concorre pela quinta vez com uma candidatura de caráter satírico e performativo, concebida como uma denúncia do que considera ser o esvaziamento e a teatralização da política contemporânea.
Vieira, que apresentou 12.500 assinaturas ao Tribunal Constitucional — acima do mínimo exigido por lei —, estruturou novamente a sua campanha em torno de propostas deliberadamente extravagantes, como vinho a correr nas fontes públicas, patinadoras russas para os homens, bailarinos cubanos para as mulheres e um Ferrari para cada cidadão. O próprio candidato explica que estas ideias não devem ser lidas como um programa de governo, mas como um recurso artístico e político para evidenciar aquilo que vê como o absurdo de muitas promessas eleitorais e discursos oficiais.
Em declarações recolhidas por meios de comunicação portugueses, Vieira afirmou que recorre a este tipo de linguagem para provocar reflexão crítica e para chamar a atenção para o que descreve como o crescimento do autoritarismo e da radicalização política.
Um cenário eleitoral competitivo
A eleição presidencial de 2026 decorre num contexto de forte fragmentação do eleitorado. As últimas sondagens indicam um empate técnico entre quatro candidatos:
- André Ventura, do Chega, com 21, 7%;
- João Cotrim de Figueiredo, apoiado pelo Partido Liberal, também com 20,4%;
- José Seguro, do Partido Socialista, com 20,4%;
- Henrique Gouveia e Melo, almirante na reserva e candidato independente, com 17,4%.
O candidato do Partido Social Democrata (PSD), Luís Marques Mendes, surge em quinto lugar depois de uma campanha em que se tem apresentado como uma opção de continuidade institucional.
Eleição e participação
Cerca de 11 milhões de eleitores estão inscritos para escolher o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa. Caso nenhum candidato alcance a maioria absoluta no primeiro turno, está prevista uma segunda volta a 8 de fevereiro.
No conjunto de onze candidaturas há apenas uma mulher, Catarina Martins, antiga coordenadora do Bloco de Esquerda, cuja campanha tem incidido sobre justiça social, pluralismo democrático e políticas públicas de esquerda.
Neste quadro, a candidatura de Manuel João Vieira ocupa um espaço distinto: não como alternativa de poder, mas como uma intervenção satírica que utiliza a extravagância para questionar o funcionamento e a linguagem da política portuguesa contemporânea.


