Juan Lacomba
(España) Editor de la Iberofonía, es licenciado en Derecho y en Relaciones Laborales. Sindicalista y delegado electo desde 2012, actualmente vicepresidente del Comité de Empresa del Ayuntamiento de Sagunto, Valencia. Es además formador y técnico superior en Salvamento y Socorrismo.
Aporta un profundo conocimiento del ámbito laboral, la negociación colectiva y las relaciones laborales en la administración pública.
O Governo de transição da Guiné-Bissau criticou publicamente, esta quinta-feira, declarações do Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, do ex-Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, e da eurodeputada portuguesa Marta Temido, relativas à situação política e eleitoral no país.
Numa declaração divulgada nas redes sociais, o ministro da Comunicação Social, Aduramane Turé, contestou as análises feitas pelos três responsáveis, considerando-as inadequadas e desrespeitosas para com as instituições e o povo guineense. As críticas surgem na sequência de posicionamentos públicos sobre o processo eleitoral de 23 de novembro e sobre a atual conjuntura política.
No que respeita a José Ramos-Horta, o governante afirmou que o Presidente timorense tratou de forma leviana as Forças Armadas da Guiné-Bissau. Turé recordou o histórico das relações entre os dois países, referindo o papel desempenhado por Bissau no apoio internacional a Timor-Leste durante o período de ocupação indonésia. “A diplomacia guineense e as Forças Armadas da Guiné-Bissau foram as instituições mais relevantes na articulação dessa solidariedade”, declarou.
Segundo o ministro, as afirmações de Ramos-Horta revelam um afastamento dos factos históricos e da realidade guineense. “Ramos-Horta traiu a responsabilidade moral que lhe é exigida enquanto figura pública, que foi um símbolo da paz”, afirmou, em resposta às declarações do Presidente timorense à agência Lusa, nas quais considerou impossível ignorar a atuação de uma fação militar e afirmou que Umaro Sissoco Embaló teria perdido as eleições.
O executivo guineense estendeu igualmente as críticas ao ex-Presidente moçambicano Filipe Nyusi, que liderou a missão de observação eleitoral da União Africana. Turé considerou que Nyusi ultrapassou os limites da prudência diplomática ao afirmar, a 4 de dezembro, que existia um vencedor claro das eleições e que os resultados deveriam ser anunciados.
Relativamente à eurodeputada Marta Temido, o ministro afirmou que as suas declarações no Parlamento Europeu foram precipitadas. “A Guiné-Bissau não está sob tutela de ninguém, nem da União Europeia e, menos ainda, de Portugal”, declarou, acusando a eurodeputada de ofender a dignidade do povo guineense ao defender a imposição de sanções.
Para o Governo de transição, apenas a Comissão Nacional Eleitoral tem competência para preparar, controlar e declarar os resultados eleitorais. “A Guiné-Bissau não precisa de julgamentos precipitados, nem de ameaças”, acrescentou Turé.
As reações ocorrem num contexto de crescente pressão internacional. O Parlamento Europeu aprovou esta quinta-feira uma resolução que condena a mudança considerada inconstitucional na Guiné-Bissau e insta o Conselho Europeu a ponderar medidas restritivas contra os responsáveis por violações de direitos humanos.
Entretanto, Timor-Leste assumiu a presidência da CPLP, estatuto anteriormente atribuído à Guiné-Bissau, que já se encontra suspensa da CEDEAO e da União Africana. Figuras da oposição e observadores internacionais continuam a afirmar que o golpe de Estado terá sido encenado para impedir a divulgação dos resultados eleitorais, enquanto vários dirigentes permanecem detidos ou refugiados em missões diplomáticas.


