La Iberofonía
Equipo de edición de La Iberofonía, medio de comunicación del Ateneo Iberófono Juan Latino.
A campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou na sexta-feira (2/10) uma petição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo que a suspensão dos serviços consulares dos Estados Unidos no Brasil seja incorporada à investigação em curso sobre possível interferência estrangeira nas eleições de 2026. O pedido foi apresentado dois dias antes do primeiro turno das eleições gerais brasileiras, marcado para este domingo (4/10).
No documento, enviado ao corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Sebastião Reis Júnior, os advogados da campanha classificam a decisão do governo de Donald Trump como um «gesto diplomático anômalo» capaz de projetar instabilidade sobre o processo eleitoral. A petição vai além: afirma que a interferência estaria «articulada, ao que tudo indica, diretamente pelos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro», e aponta o secretário de Estado americano, Marco Rubio — descrito como próximo a Eduardo Bolsonaro —, como responsável direto pela ordem de suspensão.
Os Estados Unidos anunciaram na noite de quinta-feira (1/10) a suspensão do atendimento presencial em sua embaixada em Brasília e nos consulados de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre, alegando «preocupações de segurança» sem detalhar qual seria a ameaça. A medida não implica o fechamento das atividades diplomáticas americanas no país, mas afeta serviços como emissão de vistos e documentos. Funcionários da embaixada foram orientados a trabalhar de casa. A embaixada da Austrália em Brasília também suspendeu seu atendimento por precaução, sem identificar ameaça específica.
A Polícia Federal cumpriu na sexta-feira dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal, dentro de uma investigação sigilosa sobre um suposto plano de atos contra instalações diplomáticas americanas. Segundo nota oficial da corporação, até o momento não foram verificados elementos que corroborem os riscos inicialmente apontados pelas autoridades dos EUA, nem identificados suspeitos ligados a organizações criminosas.
A petição cita ainda uma carta enviada em 28 de setembro pelos senadores democratas Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch, alertando o governo Trump contra qualquer interferência nas eleições brasileiras, além de reportagem da Folha de S.Paulo sobre planos de Flávio Bolsonaro para reformar o Itamaraty caso seja eleito, inspirados em mudanças feitas durante o governo Trump.
O Departamento de Estado americano afirmou trabalhar «em estreita cooperação com nossas contrapartes brasileiras» para tratar das questões de segurança, sem vincular oficialmente a medida ao processo eleitoral. Até a publicação desta reportagem, o TSE não havia decidido se a suspensão dos serviços consulares configura interferência eleitoral — o caso segue em análise, junto a outras frentes já investigadas pela Justiça Eleitoral sobre possível ingerência externa no pleito.


