Centrão articula no Congresso para afrouxar proibição das bets após eleição

Deputados e senadores ligados a casas de apostas e à CBF preparam emendas para liberar apostas esportivas, mantendo veto a cassinos online


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Equipo de edición de La Iberofonía, medio de comunicación del Ateneo Iberófono Juan Latino.

Um grupo de parlamentares do centrão já se movimenta para alterar a medida provisória editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que proibiu as chamadas bets no Brasil. A estratégia é esperar o fim das eleições para reduzir a pressão social e então negociar um meio-termo: manter proibidos os cassinos online, mas liberar as apostas esportivas.

A MP tem força de lei e a proibição já está em vigor no país. O prazo para apresentação de emendas foi prorrogado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), até o dia 13, justamente para afastar a discussão do calendário eleitoral. A comissão que vai analisar a proposta só deve ser criada em novembro, e a votação pode se estender até fevereiro de 2027, já sob o novo governo.

O movimento ganhou força com a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL), que tem sinalizado abertura para autorizar apostas ligadas a eventos esportivos, embora evite defender isso publicamente. Em Goiânia, no fim de setembro, afirmou: «Vai estar proibido o jogo do tigrinho e vai estar proibido o cassino online» (tradução). Nesta quarta-feira, voltou a cobrar Lula, chamando-o de «o pai do tigrinho» (tradução) e acusando o petista de ter «agredido a segurança jurídica» (tradução) dos clubes e das empresas ao editar a MP às vésperas da eleição.

O grupo que pressiona por mudanças reúne parlamentares próximos a casas de apostas, à CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e aos clubes de futebol, entre eles o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de campanha de Flávio, o deputado Dr. Luizinho (PP-RJ), da Frente Parlamentar do Jogo Responsável, além dos deputados Júlio Arcoverde (PP-PI) e Bebeto (PP-RJ), autores de emendas para restringir a proibição ao mercado ilegal.

Mesmo entre aliados de Lula há quem reconheça que a medida foi precipitada e pode alimentar o mercado ilegal, onde se concentram fraudes e sonegação. Ainda assim, recuar após a campanha seria visto como contradição política.

O impacto fiscal é central no debate: as apostas esportivas representam cerca de 70% do lucro das empresas do setor, que pagaram quase R$ 9 bilhões em impostos em 2025. Se a proibição total for mantida, o governo precisará compensar essa perda de arrecadação no Orçamento de 2027.

O setor foi regulamentado pelo próprio Lula em 2023, após anos de expansão sem controle nem tributação durante os governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL). A disputa agora revela como interesses econômicos — clubes, emissoras, patrocínios — e cálculo eleitoral se sobrepõem a qualquer debate técnico sobre regulação do jogo no país.

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