Saab apresenta primeiro Gripen F brasileiro e reforça eixo tecnológico com Brasília

Caça biplace combina treino e combate num programa industrial partilhado com a Embraer brasileira


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Equipo de edición de La Iberofonía, medio de comunicación del Ateneo Iberófono Juan Latino.

A fabricante sueca Saab apresentou oficialmente, a 2 de Junho, nas suas instalações de Linköping, na Suécia, o primeiro caça Gripen F destinado à Força Aérea Brasileira. A cerimónia marcou a entrada pública da variante biplace do Gripen E, desenvolvida no quadro da cooperação industrial entre a Suécia e o Brasil, com participação da indústria brasileira e da Embraer.

O aparelho recebeu a matrícula FAB 4000 e representa uma das peças centrais do programa brasileiro de modernização da aviação de combate. Segundo a Saab, o Gripen F foi concebido para combinar treino de conversão operacional e capacidade real de combate numa única plataforma, permitindo que pilotos em formação operem em condições próximas de missão, sem retirar ao avião a sua função militar plena.

A apresentação contou com a presença do ministro da Defesa da Suécia, Pål Jonson, do ministro da Defesa do Brasil, José Múcio, do comandante da Força Aérea Brasileira, brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, e do presidente executivo da Saab, Micael Johansson. A presença política e militar dos dois países reforçou o peso estratégico do programa, que ultrapassa a simples aquisição de aeronaves e envolve transferência de tecnologia, formação técnica e cooperação industrial de longo prazo.

O contrato assinado em 2014 entre a Saab e o Governo brasileiro prevê 36 caças Gripen, dos quais 28 Gripen E monoplace e oito Gripen F biplace. As entregas começaram em 2020 e, até agora, foram entregues 11 aeronaves ao Brasil. A própria empresa sueca sublinha que o Brasil é o cliente lançador da versão biplace, tendo desempenhado um papel activo no codesenvolvimento da aeronave.

O Gripen F conserva a arquitectura operacional da série Gripen E, mas acrescenta um segundo cockpit totalmente independente. Essa configuração permite repartir tarefas em missões de maior complexidade, melhorar o comando da missão, acelerar a adaptação de novos pilotos e aumentar a eficiência em ambientes de ameaça elevada. Para a FAB, a aeronave não funciona apenas como avião de instrução: é também uma plataforma de combate apta a operar em missões reais.

Embora a versão biplace estivesse inicialmente associada à possibilidade de produção no Brasil, a Saab decidiu fabricar todos os Gripen F na Suécia, alegando razões de risco industrial, segundo a informação publicada pela Infodefensa. Esta decisão não elimina a participação brasileira no programa, mas desloca para Linköping a produção final da variante biplace, mantendo no Brasil a relevância da Embraer e da base industrial ligada ao projecto Gripen.

Antes da entrega definitiva à Força Aérea Brasileira, o FAB 4000 será transferido para o Centro de Ensaios em Voo da Saab, na Suécia, onde passará por uma campanha específica de testes. Só depois dessa fase a aeronave será incorporada plenamente na frota brasileira.

O programa ganhou ainda projecção internacional porque a Tailândia e a Colômbia também fizeram encomendas da versão Gripen F. Para a Saab, a apresentação do primeiro exemplar brasileiro funciona como demonstração técnica e comercial de uma variante que procura ocupar espaço no mercado de caças de nova geração, especialmente entre países que procuram combinar formação avançada, autonomia operacional e integração tecnológica com custos inferiores aos de plataformas mais pesadas.

A entrega do primeiro Gripen F confirma a centralidade do Brasil na estratégia internacional da Saab e reforça a dimensão tecnológica da cooperação militar entre Brasília e Estocolmo. Num cenário de rearmamento global e competição por capacidades aéreas avançadas, o programa Gripen mantém o Brasil dentro de um eixo industrial que combina defesa, transferência tecnológica e modernização da capacidade de combate.a.

Fontes: Saab, Infodefensa, NeoFeed.

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