Macau afirma-se como ponte estratégica da China para a Iberofonia

Macau usa Lisboa e Madrid para projectar negócios chineses nos mercados lusófonos e hispânicos


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Equipo de edición de La Iberofonía, medio de comunicación del Ateneo Iberófono Juan Latino.

Macau deu um novo passo na sua estratégia de se consolidar como plataforma económica entre a China e o espaço iberófono. Uma delegação empresarial organizada pelo Governo da Região Administrativa Especial de Macau visitou Portugal e Espanha numa missão de intercâmbio e prospecção que, segundo o portal oficial GOV.MO, reuniu cerca de 120 representantes de empresas da China continental, empresários de Macau e entidades da Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong–Macau em Hengqin.

A missão, promovida pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau, teve como objectivo reforçar o papel de Macau como ponte entre a China, os países lusófonos e os países hispanófonos. Durante seis dias, a delegação realizou contactos empresariais, visitas institucionais e encontros com actores económicos em Portugal e Espanha. O comunicado oficial destaca que foram realizadas 220 sessões de correspondência empresarial e assinados 109 projectos, números que revelam uma ambição que vai além da diplomacia protocolar.

O ponto central da operação é geopolítico: Macau procura transformar a sua herança luso-chinesa numa vantagem operacional para a China no acesso ao mundo iberófono. Até agora, a cidade era sobretudo apresentada como plataforma entre a China e os países de língua portuguesa. A novidade está na extensão dessa função aos países de língua espanhola, com Espanha a surgir como porta de entrada institucional, empresarial e cultural para um mercado muito mais amplo.

A viagem insere-se ainda na estratégia de diversificação económica “1+4” da Região Administrativa Especial de Macau, orientada para sectores como saúde, tecnologia, turismo, convenções, comércio e serviços modernos. No caso espanhol, a delegação visitou o ICEX, organismo espanhol de comércio exterior, o que confirma a dimensão institucional da iniciativa e a tentativa de criar canais estáveis de cooperação empresarial.

Para Macau, este movimento tem uma leitura interna e externa. Internamente, reforça a necessidade de reduzir a dependência do jogo e do turismo convencional. Externamente, coloca a cidade como instrumento de ligação entre Pequim, Lisboa, Madrid e os mercados ibero-americanos, num momento em que a China procura consolidar redes comerciais alternativas, cadeias de abastecimento resilientes e interlocutores fora dos circuitos atlânticos tradicionais.

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